De que adianta tentar com tanta veemência e precisão, se depois sempre vem o fracasso e eu tropeço.
Cansei de esforços vãos, que nunca me servem de nada, nada.
E tantos foram eles, que agora vou trancar-me numa gaveta e nunca mais sair.
Ficar até o sol incandescer a janela do meu quarto (não há janelas), até a lua deixar de existir e tornar-se como eu me sinto agora (inútil).
Deixei de sonhar, ao menos nesse instante, que penso na vida, no meu dia, no que aconteceu esta semana.
E me sinto tão só, mais tão rodeada, e isso não é bom, é tão incapaz.
Tiro e boto o anel no dedo, solto e prendo os cabelos, ando e me jogo na cama, abro e fecho a geladeira, e choro ao mesmo tempo, entre soluços procuro respirar e me acalmar.
Mas o meu lugar ainda é ali: entre os velhos objetos que não gosto mais, que perderam o uso.
Eu não tenho nada que realmente me pertence, eu não sinto nada que os outros sentem, eu não sou como as outras garotas da minha rua, da minha escola, da minha vida...
Pela enésima vez, fechei-me.
sábado, 14 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Os Confundidos - Osman Lins
Esse conto se encontra na obra Nove, novena de Osman Lins.
Os Confundidos- Já tinha ouvido falar bastante nesse livro, nas aulas de Literatura do curso/colégio. E de tanto o meu professor Diógenes Américo (Curso-Interativo) pedir para nós, alunos do pré-vestibular, lermos, fui atrás. Ele citava mais do que qualquer conto: Os Confundidos. E disse até: ''Sempre fico tenso depois de ler'' Tamanha empolgação, que acabei indo realmente procurar para ler também.
Achei muito interessante o modo como ele foi escrito, a tal ''discussão do casal''. O ponto crucial da obra é a confusão que é feita na cabeça do leitor, a maneira que o autor nós leva ao trocadilho das falas. Em quase todos os momentos da história é difícil saber quem fala o que. Em apenas alguns trechos é que podemos denominá-las, pelo gênero das palavras (masculino ou feminino).
Buscando respostas para os problemas encontrados por ambas as partes no relacionamento, tais como: A perda da identidade, o ciúme, da monotonia do cotidiano. Entre tantas outras coisas.
Bastante envolvente (eu achei), e bem cotidiana também, vamos lá leitor, nunca passou por uma dessas? Acredito que quando o relacionamento se sustenta a base de ''viver o outro'' é o inicio de fim. Como já citado por algum deles dois (personagens) no próprio conto:
''-Mas como, se perdi a identidade e não sei mais quem sou? Somos como dois corpos enterrados juntos, roídos pela terra, os ossos misturados. Não sei mais quem sou.''
De fato, sufocante, encontrar-se numa sinuca de bicos como essa rs.
''- é porque nos amamos. Estamos confundidos, cada um é si próprio e também é o outro.''
Será então amor? A ponto de confundirem-se. Não saber quem é, e por não saber mais do que gosta, do que faz, que se destina apenas a ilusão de ser o outro.
Existe um breve parágrafo que separa o amor da paixão:
Existe um breve parágrafo que separa o amor da paixão:
A paixão é como o sonrisal, tsiiiiiiis! efervesceu e acabou. Como um breve momento passageiro, que pouco se sente e que é substituível.
O amor é diferente, digamos que é muito mais do que isso, é saber quem é o outro, respeitar essas diferenças, e saber uni-las todas de maneira satisfatória e harmônica, e que então, dificilmente encontra-se remédio para a cura.
O amor é diferente, digamos que é muito mais do que isso, é saber quem é o outro, respeitar essas diferenças, e saber uni-las todas de maneira satisfatória e harmônica, e que então, dificilmente encontra-se remédio para a cura.
''- isso não é amor. Não se perde a identidade no amor. Mas no escritório, na vida coletiva; ou na demasiado solitária por falta de pontos de referência. No amor, pelo contrário, devemos reencontrar nossa identidade perdida.''
Confesso que não estava a fim de ler o livro Nove, novena ainda tenho que terminar os outros dois que estou lendo, mais está na lista! Lerei em breve, pois esse conto me deixou com água na boca para ler os demais da obra. Também o livro Os Melhores Contos (o que o professor Diógenes tanto falou), onde alguns contos foram extraídos da obra Nove, Novena e Os Gestos, sendo este último citado, seu segundo livro, publicado em 1957, no qual ele já fugia de temas que podiam acorrentá-lo ao rótulo regionalista (em Osman, a ação costuma ocorrer de dentro para fora, bem singular). Esses contos abordam temas como a perda, o conflito de gerações, a falta de afeto, a passagem do tempo, a transição da infância para a adolescência e a busca da liberdade.
São eles: "Os Gestos", "Reencontro", "A Partida", "Cadeira de Balanço", "O Vitral" e "Elegíada".
Indico para os senhores, leiam também!
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Quem sou eu?
Eu não me descrevo apenas através de uma frase de Clarice, nem me limito a ser um poema de Bandeira, ou mesmo um verso enigmático de Drummond, tampouco me sinto uma carta de Florbela.
Eu sou muito menos do que tudo isso, sou alguns rabiscos.
E sou como a bituca do meu cigarro: hora em cima, hora em baixo, no chão, no ar.
Desintegrando-me junto ao vento em mil partes, entrando pelos poros de cada um que ouse pisar ou passar por mim.
Eu sou muito menos do que tudo isso, sou alguns rabiscos.
E sou como a bituca do meu cigarro: hora em cima, hora em baixo, no chão, no ar.
Desintegrando-me junto ao vento em mil partes, entrando pelos poros de cada um que ouse pisar ou passar por mim.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Meu.REM.
Eu tive um sonho esta madrugada, o sonho mais sonhado por mim nos últimos meses, de verdadeiro tormento psicológico que me achei sem chão. Um sonho daqueles que não se pode acordar sabe? Que é impossível não parecer real! Que dá vontade de simplesmente não despertar nunca mais. Que conforma, conforta, que inspira que seduz e me prende.
Talvez a vontade seja tanta que... Acontece até de perder o ar, para não perder sequer um segundo do hálito que sai da tua boca, com medo de despertar e não conseguir lembrar-me daquele momento tão singular: nós, escondidas, escuro, sorrisos, tão único!
Lembro-me vagamente dos sussurros ao ouvido, da mão que se desenhou em seus quadris, pressionando-a com todo o desejo contra a parede. Desenhando minha boca em seu colo, junto a todo o resto.
E num breve silêncio que se fez um abraço. O mais meigo e doce abraço que não tive, porém o melhor e o mais verdadeiro, apaixonado.
Estava escuro ali, e ainda assim, pude sentir seus olhos verdes me fitarem com tamanha transparência, com medo. Eu jamais contaria para alguém o nosso segredinho!
* O estado REM é um estado neurologica e fisiologicamente activo. Quando uma pessoa está num sono profundo não há sonho e as ondas (chamadas ondas delta) ocorrem 3 por segundo. No sono REM, as ondas ocorrem cerca de 60 a 70 por segundo e to cérebro gera cerca de cinco vezes mais electricidade do que no estado acordado. A pressão arterial, as batidas do coração, a respiração, etc podem mudar dramaticamente durante o sono REM.
Talvez a vontade seja tanta que... Acontece até de perder o ar, para não perder sequer um segundo do hálito que sai da tua boca, com medo de despertar e não conseguir lembrar-me daquele momento tão singular: nós, escondidas, escuro, sorrisos, tão único!
Lembro-me vagamente dos sussurros ao ouvido, da mão que se desenhou em seus quadris, pressionando-a com todo o desejo contra a parede. Desenhando minha boca em seu colo, junto a todo o resto.
E num breve silêncio que se fez um abraço. O mais meigo e doce abraço que não tive, porém o melhor e o mais verdadeiro, apaixonado.
Estava escuro ali, e ainda assim, pude sentir seus olhos verdes me fitarem com tamanha transparência, com medo. Eu jamais contaria para alguém o nosso segredinho!
* O estado REM é um estado neurologica e fisiologicamente activo. Quando uma pessoa está num sono profundo não há sonho e as ondas (chamadas ondas delta) ocorrem 3 por segundo. No sono REM, as ondas ocorrem cerca de 60 a 70 por segundo e to cérebro gera cerca de cinco vezes mais electricidade do que no estado acordado. A pressão arterial, as batidas do coração, a respiração, etc podem mudar dramaticamente durante o sono REM.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Entreparedes
Meu quarto é tão quadrado e pequeno, cujas paredes já são tão próximas quão velhos amigos, substituem velhos diários, mais não suprem as novas vontades que se fazem aqui, dentro de mim.
Observo as quatro paredes que me cercam da cor lilás, e o teto branco-gelo, minha estante repleta de livros que ainda não foram folheados por minhas mãos secas, o lençol que cobre meu corpo todas as noites, o quarda-roupa onde escondia algumas caixas, que escondem a minha vida: Cartão de natal, cartas de amigos, vários rabiscos da última folha de inúmeros cadernos, diários, meu primeiro exercício de química, a primeira peça teatral que escrevi/dirigi (O Casamento da Matuta) quando tinha 14 anos, fotos da época que fazia teatro. Que saudade!
Mais o meu nome ainda continua pintado na porta do meu quarto, junto ao da minha irmã, as marcas na madeira da cama ainda cicatrizam meu nome junto ao dele, que também persistem aos anos que sustento a sua ausencia dentro de mim, escrito no código que nós dois inventamos quando tínhamos 11 anos, nosso maior segredo foi ter um segredo que só fosse nosso. E onde ele está? Como ele está? Por onde anda?
Escrevíamos no espelho, um para o outro...
‘’êcov ed!, azerup ed sopmet sessed edaduas euq…’’
Nem que eu jogasse tinta sobre as paredes, ou mudasse os móveis de lugar, quem sabe pulasse pela janela, nada voltaria, nem mesmo os sonhos.
Fechei a caixa que o deixava vivo aqui, agora não faço idéia por onde anda, por onde voa, jogue-a pelo ar, através do muro do meu quintal. Morreu fisicamente, mais a nostalgia continuará aqui comigo sempre, sempre.
Dedico ao infeliz que figiu com meu coração.
Observo as quatro paredes que me cercam da cor lilás, e o teto branco-gelo, minha estante repleta de livros que ainda não foram folheados por minhas mãos secas, o lençol que cobre meu corpo todas as noites, o quarda-roupa onde escondia algumas caixas, que escondem a minha vida: Cartão de natal, cartas de amigos, vários rabiscos da última folha de inúmeros cadernos, diários, meu primeiro exercício de química, a primeira peça teatral que escrevi/dirigi (O Casamento da Matuta) quando tinha 14 anos, fotos da época que fazia teatro. Que saudade!
Mais o meu nome ainda continua pintado na porta do meu quarto, junto ao da minha irmã, as marcas na madeira da cama ainda cicatrizam meu nome junto ao dele, que também persistem aos anos que sustento a sua ausencia dentro de mim, escrito no código que nós dois inventamos quando tínhamos 11 anos, nosso maior segredo foi ter um segredo que só fosse nosso. E onde ele está? Como ele está? Por onde anda?
Escrevíamos no espelho, um para o outro...
‘’êcov ed!, azerup ed sopmet sessed edaduas euq…’’
Nem que eu jogasse tinta sobre as paredes, ou mudasse os móveis de lugar, quem sabe pulasse pela janela, nada voltaria, nem mesmo os sonhos.
Fechei a caixa que o deixava vivo aqui, agora não faço idéia por onde anda, por onde voa, jogue-a pelo ar, através do muro do meu quintal. Morreu fisicamente, mais a nostalgia continuará aqui comigo sempre, sempre.
Dedico ao infeliz que figiu com meu coração.
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