Não sabe fazer nada com os dias
Nada faz além de gastar papéis e tintas,
Nem mesmo um poema seja triste ou de amor
Não há palavras, rimas, ou fatos a serem descritos
Não há sonhos, amores, ou medos infinitos pra serem vividos
O que se lê não é mais que preto e branco
As cores são como pigmentos a marcar as faces do mundo
As tipologias escritas pelos poetas vagabundos
São como um marco ao ápice da incompreensão
Deles e de terceiros
O que se vê não é mais que um buraco
La dentro, no fundo, é poema de sentimento
Preferindo não despertar ao próprio
Talvez não queira descobrir se é 8 ou 80
Já basta a mescla confusa que se tritura ao peito
Talvez o sol nem chegue mais aqui
Tudo escuro, tudo singular, o poeta vagabundo
Vive dentro dos sonhos, do idealizado, de mim
Lá se expressa, entende e firma-se
Aqui é o oposto, não há vantagens nem garantias
Só os restam leitores leigos as idéias deles,
Amores tardios renovando-se
Amigos que desaparecem como fumaça
Pó e cinza no chão...
Quer um cigarro e uma garrafa à mão
Somente assim pra entrar de vez no que se vê
E mudar ao menos uma vez o que se lê.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
domingo, 20 de dezembro de 2009
...
Uns dizem que amar é uma dor
Outros dizem que amor é tão amar quão sofrer.
Li uma vez que amor era divino, e às vezes sacrificante...
Ouvi dizer que amor é um conjunto de adjetivos belos,
E que todos têm o dom de obtê-lo.
Tem até quem fale que não há dor mais gratificante...
Eu digo que morrer de amor é morrer sorrindo,
Estou morrendo, estou gargalhando.
Outros dizem que amor é tão amar quão sofrer.
Li uma vez que amor era divino, e às vezes sacrificante...
Ouvi dizer que amor é um conjunto de adjetivos belos,
E que todos têm o dom de obtê-lo.
Tem até quem fale que não há dor mais gratificante...
Eu digo que morrer de amor é morrer sorrindo,
Estou morrendo, estou gargalhando.
sábado, 19 de dezembro de 2009
O incomum
O diferente suborna a tradição
A ponto de a travessia ser longa e medonha
Curvando-se aos veteranos comandantes da prisão
Arrancaram-lhe as orelhas ensurdecendo ao mundo
Fendas atadas furtavam-lhe os desejos
O único barulho que soava eram os soluços equivocados
O que restou de fato foi apenas a inteligência do garoto
Ninguém poderia roubá-la ou torturá-la
Usava-a para medir, idealizar, e penalizar-se
Cresceu e se tornou um homem
Podia não ter sentido algum, mas logo iria acabar -ele pensava-
Quando tudo terminou quis recomeçar,
Pulou a janela para graduar-se como mais um incomum.
A ponto de a travessia ser longa e medonha
Curvando-se aos veteranos comandantes da prisão
Arrancaram-lhe as orelhas ensurdecendo ao mundo
Fendas atadas furtavam-lhe os desejos
O único barulho que soava eram os soluços equivocados
O que restou de fato foi apenas a inteligência do garoto
Ninguém poderia roubá-la ou torturá-la
Usava-a para medir, idealizar, e penalizar-se
Cresceu e se tornou um homem
Podia não ter sentido algum, mas logo iria acabar -ele pensava-
Quando tudo terminou quis recomeçar,
Pulou a janela para graduar-se como mais um incomum.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Dois corpos
Eram duas camas, uma ocupada por dois e outra assistindo ao espetáculo.
O corpo já estava quente, tão quente que esfriava a cada segundo que passava sem alteração no comportamento de noites como essa. Um ao lado do outro, o da esquerda intocável por um intervalo modesto de tempo para inércia, descanso, reflexão. A mão que passeava pela própria barriga, sentindo o ar entrar aos pulmões e elevá-la para cima e para baixo, como ambos os corpos fizeram alguns minutos atrás. Um ritmo inigualável e harmônico, incansável e molhado. Além de quente, sentia-se o suor derramar de um para o outro, como na troca de uma substancia química de relação espontânea. Um odor insinuante pairava sobre o quarto escuro, quase invisível, que guiavam as mãos cegas por caminhos nunca encontrados até então. Perderam-se no caminho, ou jamais queriam voltar ao inicio. Dois dedos desenhavam circunferências nas entocas, hora rápido, hora devagar, hora adentro. Sempre a gosto do parceiro. Certidão de companheirismo. O corpo a direita flutuava longe. Como se nada feito ali tivesse acontecido. A pausa era para a discussão, o nome de um terceiro circulava a história. Atormentava, para melhor esclarecer. Perguntas, silêncio. O da direita acusava, apontava, punia e castigava com chantagens emocionais não tão baratas assim. Cujas palavras roubaram da noite o seu encanto quase que por completo. O da esquerda ouvia, sentia, mas não ousava falar, quem sabe, talvez não tivesse realmente nada a ser dito. As costas se encontraram cada qual por uma razão. Ficaram ali mais alguns minutos em silêncio. Uma piada solta pra romper o clima pesado não foi tão eficiente. A solução era dormir, ao menos nos sonhos daria certo. Talvez alguém quisesse chorar, ou gritar, bater, empurrar, mas nada foi feito. A porta continuava fechada, o escuro também, o silêncio deu lugar a outros sons, mas confortáveis. Os dois corpos outra vez se atacaram, dessa vez um minuto foi necessário para resgatar todo o fogo que esquentavam ambas as almas carentes por atenção e abrigo. Ocorreu um atrito mais violento, machucando mas embaixo. Litros eram preparados pelos órgãos para expulsa-los dentro um do outro. E assim, sentir o gosto do prazer na língua: O da reconciliação. Os dois não se encontravam mais em posições paralelas. O da direita estava por baixo e o da esquerda por cima, cruzando-se entre si e trabalhando, dirigindo a 120 km/h quase sem ar, fatigado do segundo tempo.
Termina a brincadeira. Abrem a porta, já era dia, calam as bocas e um deles adormece enquanto o segundo observa-o sonhar. Imaginando e modelando uma proxima vez. Quem sabe na mesma cama, quem sabe na proxima semana.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Último adeus
Não pensei que fosse tão difícil sair da escola. O dia do término por completo das aulas, na Aula da Saudade, festa de encerramento do ano letivo, o nosso último ano no ensino médio.
Não sabia se chorava ou se sorria. Um mundo de sentimentos misturados tomaram conta de mim: perda, saudade, solidão, amizade, amor, carinho, admiração.
O CPM foi um lugar onde eu aprendi muita coisa. Onde eu não fui discriminada por ser quem eu sou, na verdade, não me escondi dessa vez. Eu tão diferente, me achei igual. Igual a todos, pois ninguém ali me tratou diferente. E isso é o que mais contou pra mim. Ver que não interessava de onde eu vinha, em que bairro eu moro, de certas condições que eu fiz. A única coisa que importou foi a presença e o afeto que eu tive e tenho por todos ali. Sentado em cada lado meu estavam aqueles que fizeram do meu ano, ser o mais especial possível, o mais foda e inesquecível. Não foram apenas ''amigos'' que eu fiz, que conheci, foram pessoas maravilhosas que eu queria tanto, mas tanto tê-las comigo por mais um tempo, quem sabe eternamente. Pra continuar me ensinando e me guiando pelo mundo. Por incrível que pareça, eu sou notava no Colégio da Policia Militar, meu primeiro e último ano, e alguém notou isso?! Parece mas é que conheço todos ali há anos e anos! Isso pra mim é o mais o importante, não a questão de anos, mas o sentimento que ficou por cada um deles ali. Não falo apenas de alunos, meus colegas de classe, mais também dos professores. Foi por alguns deles que firmei a minha profissão. Eu não tinha certeza do que iria fazer, medo de escolher a coisa errada. Mas hoje, fim de ano, pré e pós vestibular, vejo que não existe coisa mais EU do que cursar Letras. Vou levar algumas características de cada um deles para a formação do meu caráter.
Duvido muito que eu vá me arrepender. Duvido muito que eu não vá me esforçar, e ser quem sabe, como eles, meus professores.
Foi impossível não chorar, acho que estou até agora chorando. Por dentro e por fora, eu tô chorando agora! Meu Deus sou eu mesma? Rs. Acho que essa mudança de fase está mexendo com meu emocional comum [...]
Vou fazer 18 anos no próximo mês. Fui aprovada na Unicap em Letras e agora, sou ex-aluna do CPM. E agora? Será que eu vou ter a chance de ver meus amigos crescerem junto comigo? Eles sempre somem. Eu espero que sim.
Esse ano então foi o mais importante na minha vida. Não só pela escola (foi um dos principais) Mas por mim mesma, vejo que cresci tanto, não sou mais uma menina.
Me re-apaixonei, briguei, gritei com meus pais, tirei e causei cabelos brancos deles/neles. Não me torturo mais com ideologias alheias, criei a minha própria. E independente de ser politicamente correta ou não, eu vou ser feliz, eu sei.
Enfim, passei por momentos tão difíceis anos atrás, talvez se não fosse por algumas coisas que me falaram, e me mostraram, eu não estivesse aqui hoje. Talvez eu tivesse desistido de verdade. Mais como eu estou, eu desejo a todos eles! Não me limitando apenas aos alunos da turma G-3, mas, a todos os concluintes do colégio. Sucesso, paz, e muita sorte! Eu quero encontrá-los formados, felizes, e com o mesmo jeito de ser. Digo o mesmo aos professores, que merecem uma Salma de palmas minhas e dos demais, é dureza aturar aluno, ainda vou descobrir o que é isso.
Não sabia se chorava ou se sorria. Um mundo de sentimentos misturados tomaram conta de mim: perda, saudade, solidão, amizade, amor, carinho, admiração.
O CPM foi um lugar onde eu aprendi muita coisa. Onde eu não fui discriminada por ser quem eu sou, na verdade, não me escondi dessa vez. Eu tão diferente, me achei igual. Igual a todos, pois ninguém ali me tratou diferente. E isso é o que mais contou pra mim. Ver que não interessava de onde eu vinha, em que bairro eu moro, de certas condições que eu fiz. A única coisa que importou foi a presença e o afeto que eu tive e tenho por todos ali. Sentado em cada lado meu estavam aqueles que fizeram do meu ano, ser o mais especial possível, o mais foda e inesquecível. Não foram apenas ''amigos'' que eu fiz, que conheci, foram pessoas maravilhosas que eu queria tanto, mas tanto tê-las comigo por mais um tempo, quem sabe eternamente. Pra continuar me ensinando e me guiando pelo mundo. Por incrível que pareça, eu sou notava no Colégio da Policia Militar, meu primeiro e último ano, e alguém notou isso?! Parece mas é que conheço todos ali há anos e anos! Isso pra mim é o mais o importante, não a questão de anos, mas o sentimento que ficou por cada um deles ali. Não falo apenas de alunos, meus colegas de classe, mais também dos professores. Foi por alguns deles que firmei a minha profissão. Eu não tinha certeza do que iria fazer, medo de escolher a coisa errada. Mas hoje, fim de ano, pré e pós vestibular, vejo que não existe coisa mais EU do que cursar Letras. Vou levar algumas características de cada um deles para a formação do meu caráter.
Duvido muito que eu vá me arrepender. Duvido muito que eu não vá me esforçar, e ser quem sabe, como eles, meus professores.
Foi impossível não chorar, acho que estou até agora chorando. Por dentro e por fora, eu tô chorando agora! Meu Deus sou eu mesma? Rs. Acho que essa mudança de fase está mexendo com meu emocional comum [...]
Vou fazer 18 anos no próximo mês. Fui aprovada na Unicap em Letras e agora, sou ex-aluna do CPM. E agora? Será que eu vou ter a chance de ver meus amigos crescerem junto comigo? Eles sempre somem. Eu espero que sim.
Esse ano então foi o mais importante na minha vida. Não só pela escola (foi um dos principais) Mas por mim mesma, vejo que cresci tanto, não sou mais uma menina.
Me re-apaixonei, briguei, gritei com meus pais, tirei e causei cabelos brancos deles/neles. Não me torturo mais com ideologias alheias, criei a minha própria. E independente de ser politicamente correta ou não, eu vou ser feliz, eu sei.
Enfim, passei por momentos tão difíceis anos atrás, talvez se não fosse por algumas coisas que me falaram, e me mostraram, eu não estivesse aqui hoje. Talvez eu tivesse desistido de verdade. Mais como eu estou, eu desejo a todos eles! Não me limitando apenas aos alunos da turma G-3, mas, a todos os concluintes do colégio. Sucesso, paz, e muita sorte! Eu quero encontrá-los formados, felizes, e com o mesmo jeito de ser. Digo o mesmo aos professores, que merecem uma Salma de palmas minhas e dos demais, é dureza aturar aluno, ainda vou descobrir o que é isso.
Um grande e apertado abraço!
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