sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Os versos que te fiz *

Deixe dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Tem dolencia de veludo caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !

Mas, meu Amor, eu não te digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !

Amo-te tanto ! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz.

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Beijas-mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas mãos,
Os beijos que sonhei pra minha boca!...

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Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
(Florbela Espanca, Livro de Magoas)

 
 
Quem me dera ser metade do lirismo dela.
Esculpindo meus versos a um espelho imperfeito.
Clamando a dor, ela contribui a todo o resto.
(Eduarda Ramos, À Florbela)

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

03:01am

Meu bem, depois da carta vem muito mais
Que desenhos e poesias,
De onde veio foi-se o caos [...]

O transtorno latente trás lembranças
A cada poente vadio que assisto mudar de cor.
A pele expulsa a calmaria marota que doma a prosa
Ao seguir quase sempre em meia-volta.
Eu já nem sei, meu bem, se realmente há uma simbologia
 Que descreva o meu au revoir,
Caso haja algum pressuposto a se declarar: Désolé!
Castro o doce ao persuadir o bom caráter.

O sonho é teu, porque pede uma súplica constante.
Vai meu bem, por mais uma noite, insista!
Eu sou mesmo é sado masoquista [...]

03:09am

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

De quem escreve, para quem lê

São curtas as palavras mesmo não aparentando, estão apenas camufladas por sinônimos e um falso auto-plágio, mas seus significados são deveras extensos, por tantas linhas complicadas, acompanhadas e vestidas sempre por metáforas, sendo este um dos causadores da confusão que o leitor encontra.
Composto por uma mistura bem dividida, frações de um Recanto, sendo estes lidos em tempos diferentes não mais seria possível lembrar-me do momento, do pensamento, a quem ou a que se originou. É tudo tão vão. Não me sinto escritora dos meus próprios escritos, é um desproposito peculiar e intrigante.
Nem mesmo leio depois de divulgado. Exceto pouco depois de sua formação, claro. Atrás das falhas, dos erros (não gramaticais), mas da simbologia contida e escondida entrelinhas de paralelos significados. Nem tudo aqui é para ser por inteiro degustado, compreendido, analisado, nem para levar na alma, deixe tudo no lugar quando sair. Para que terceiros também os critiquem.
Os escrevo quase que exclusivamente por ansiedade. Não leio, porque não os entendo. Nem poderia. Poderia sim, talvez não queira.
Quais os motivos para continuar então? Também não sei responder. Herança não foi!

Sedentárismo

Sol a pino corre na estrada extensa sobre concreto, é quente: vai lotada e tem curvas, têm pedras, sem paredes, poucas cadeiras. Mas há guias. Leia o mapa. Faça as malas. Muitos sonhos. Vai pesado. Pendura nas costas. Estufa o peito, apaga o cigarro.
Não almeja nada além da vista, que embaça que distorce e dilui aos olhos. Não vê que é escritor. É dadaísta, olhe ele olhar a roda da bicicleta passar parada à face.
Corre que ainda é dia, vai claro vai à sombra, fim de tarde eis de está inerte. Inspirando, respirando. Poluidamente inalando toda a podridão.
Sob o céu narrado como um monologo em bom som. Sendo guia. Fazendo mapas. Sentado, lendo. Apontando, falando. Escrevendo. Num cubo que é a sala.
Corre mais rápido, antes do vômito subir a goela, e antes da tontura derrubar as pernas enfraquecidas (...)
Perde tudo no caminho, perde a mala, perde a voz, perde o ar.
Não há mas fôlego, nem coragem, só há fadiga. Já velho para tanto peso, monta um burro, segui à dois.
Corre, que é agora. Que foi amanhã, será ontem: Sedentário.
Teve dezessete anos, é estudante. Futuro escritor.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Des-acompanhada

Que diferença faz se o carnaval acaba em março.
Nascemos com duas mãos, cada qual para um alguém.
Se sempre quis seguir sozinha, agora ando duplamente apaixonada.
Eu vou sem medo de viver assim, de me condenar assim, de me reencontrar sozinha e tão bem acompanhada, como de praxe.
Então faça-me um favor; Sem medo e sem pudor.
Descobri que não há mais limites nas minhas in-voluntárias ações, Passei a não me importar mas com meu auto disparate...
Eu sei que vou para o inferno de qualquer jeito!
Mas eu quero ir  D-e-s-a-c-o-m-p-a-n-h-a-d-a, por favor.